Este é o título de uma matéria publicada no site do jornal O Estado de S. Paulo, do dia 28 de abril, ontem, sobre a população moradora de rua no Brasil. Segue matéria na íntegra:
Morador de rua tem emprego e renda, aponta pesquisa
79,6% fazem pelo menos uma refeição por dia e 19% dos entrevistados não conseguem se alimentar diariamente
MILTON F.DA ROCHA FILHO - Agência Estado
SÃO PAULO - A maior parte da população moradora de rua no Brasil (70,9%) possui atividades remuneradas, segundo a Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua, realizada em parceria entre a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). São atividades como as de catador de materiais recicláveis, os chamados guardadores de carros nas ruas, empregado de construção civil e de limpeza ou como ajudante de embarque de carga nos portos brasileiros.
A maioria (52,6%) recebe entre R$ 20 e R$ 80 por semana e 15,7% têm a esmola como principal meio para a sobrevivência. A pesquisa foi realizada em outubro do ano passado e envolveu pessoas com mais de 18 anos que vivem nas rua de 71 cidades, com mais de 300 mil habitantes. Dos entrevistados, 58,6% afirmam ter alguma profissão. Entre as ocupações mais citadas destacam-se as ligadas à construção civil (27,2%), ao comércio (4,4%), ao trabalho doméstico (4,4%) e à mecânica (4,1%).
Segundo o texto da pesquisa “esses dados são importantes para desmistificar o fato de que a população em situação de rua ser composta por ”mendigos” e ”pedintes”. Aqueles que pedem dinheiro para sobreviver constituem minoria”. No entanto, 1,9% dos entrevistados confirma trabalhar com carteira assinada e 47,7% nunca tiveram trabalho formal.
A pesquisa serviu para identificar 31.922 moradoras de rua nas cidades pesquisadas vivendo em calçadas, praças, rodovias, parques, viadutos, entre outros, ou ainda pernoitando em instituições como albergues e igrejas. Pela pesquisa, 79,6% fazem pelo menos uma refeição por dia e 19% dos entrevistados não conseguem se alimentar diariamente. A pesquisa revela ainda que 68,9% dormem nas ruas; 22,1%, em albergues; e 8,3% costumam alternar.
Assistência
A maioria ouvida pela pesquisa (71,3%) disse que passou a viver e morar na rua em conseqüência do alcoolismo ou do uso de drogas, desemprego e brigas familiares. E aponta um fato sério: os programas governamentais não alcançam 88,5% dos entrevistados, que negam receber qualquer benefício do governo. Do total dos entrevistados, 95,5% disseram não participar de nenhum movimento social e 61,6% não exercem o direito ao voto.
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Ao ler a matéria fiquei me perguntando, “mas será que é isso mesmo?”. Acho que eles fizeram a pesquisa em várias cidades brasileiras e esqueceram São Paulo. Sou paulistana, nasci e sempre vivi aqui, e é incrível como a cada dia que passa, aumenta o número de moradores de rua, principalmente no centro da cidade. Mas mais incrível ainda é ouvir discurso de político que fala que vai ajudar, só que a ajuda nunca chega.
Outro dia, estava no ônibus e me assutei com o número de pessoas vivendo em baixo do Elevado Costa e Silva (mais conhecido como Minhocão), entre dois pilares do viaduto, cheguei a contar 15 pessoas vivendo ali, passando fome, frio, calor, sede e tantas outras coisas.
E não me parece que aquelas pessoas ali, possuem algum tipo de trabalho, assim como a maioria que vive na capital paulistana.
Bom, mas se está na pesquisa … se bem que não acredito em tudo que as pesquisas dizem.
E você, o que acha destes dados?
(Paola Peres)
Fonte: http://www.estadao.com.br/geral/not_ger164686,0.htm
2 Comentários
Maio 2, 2008 às 1:04 pm
Pois é, eu concordo com vc… não dá pra acreditar nas pesquisas!!! Ainda mais nesta, afinal eles nem sabem dizer o número exato de moradores de rua… como podem afirmar que eles tem emprego?!?!?!
Afff… se nem a população favelada, ou seja, que possui sua “casa” (barraco), consegue trabalho, imagina quem não tem o mínino de condição básica
para a sua sobrevivência………
Complicado!
Maio 2, 2008 às 8:54 pm
Também acho que essa pesquisa é furada.
Bota complicado nisso, Eliana.
E fico indignado ao saber que R$ 80,00 pode ser chamado de salário…