Quem mora em São Paulo sabe que não dá para ter sossego quando se anda pelas ruas. Vira e mexe você vê um grupo de policiais correndo atrás de um “trombadinha”. Mas esse nem é o problema.
O problema mesmo é quando os assaltos terminam com violência seguida de morte.
Li num artigo publicado no Blog do Estadão que o “paulistano vive marcado pela violência como se vivesse na Faixa de Gaza ou alguma outra região de conflito armado pelo mundo”. A frase foi inspirada por uma pesquisa que ainda não está concluída.
Só que até Paulo Maluf já dizia isso quando “atacava” seus concorrentes nas inúmeras eleições que disputou. A solução para o ex-prefeito da capital? “Por a Rota na rua!”. A Rota é como se fosse o Bope de São Paulo…
Mas não acho que por a “Rota na rua” irá diminuir o índice de violência em São Paulo. Na minha opinião, as pessoas irão se sentir mais inseguras ao ver homens com fuzis nas mãos e outras armas pesadas. E aí surgem os traumas.
O artigo Traumas de guerra na violência paulistana também mostra que a maioria das pessoas que passaram por algum tipo de violência sofrem de “transtorno de estresse pós-traumático”.
Isso faz com que o relacionamento inter-pessoal fique cada vez mais difícil na maior Metrópole da América Latina. As pessoas ficam com medo de se aproximar daquelas que não conhecem. “Vai que é mal-intencionado (a)?”, pensam.
A grande verdade é que a violência em São Paulo aumenta na mesma proporção da desigualdade social e intelectual. Resolver esse problema não é questão apenas para o novo Prefeito de Sampa. É algo que se passa pelo mundo todo, principalmente nas maiores cidades. Não pense que Nova Iorque, por exemplo, é “de boa”.
Muitos, ao contrário dos “traumatizados”, acham que a solução é encarar o dia-a-dia e não temer pelo pior. Porque não dá para fugir da violência saindo de casa, mas se não sair a vida pára. Não se trabalha, não se estuda, não se diverte.
Contudo, entre os “traumatizados”, há muitas famílias que deixaram a Capital com medo da malvada violência. Preferem morar no Interior, mesmo com a monotomia de algumas cidades, para “sobreviver”. Ou permanecem em São Paulo, mas saem de casa apenas quando necessário e olhe lá.
Estou no grupo dos mais corajosos. Não tenho medo de sair de casa, mas não deixo de rezar para que nada me aconteça.
Se você tem algum trauma pós-violência conte para nós aqui no blog. Ou ainda: se você é daqueles que pagam para não ir a São Paulo conte para nós o porquê.
Para saber mais sobre os dados e ter uma informação mais precisa do que neste post, leia o artigo: Traumas de guerra na violência paulistana
(LT)
1 Comentário
Setembro 20, 2008 às 1:34 pm
Realmente, para viver em São Paulo é preciso vestir uma “capa mutante”. Ter olhos nas costas, milhões de pernas, e braços cque alcance longas distâncias. Estar atento e ter flexibilidades são habilidades necessárias para sobreviver nesta famosa “Selva de Pedras”.
Recomendo o blog
Manual de Sobrevivência em São Paulo:
http://www.pontodevistasp.blogspot.com