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Archive for the ‘crise na Bolívia’ Category

Sem muito alarde e pouco comentada, ela parece ter voltado. E não faz muito tempo que saiu de cena. Começou logo após a Segunda Guerra Mundial e seu fim foi estabelecido em 1991, por conta da falência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Mas, mesmo que ainda quase imperceptível para os cidadãos, vestígios da Guerra Fria estão presentes nos fatos globais acontecidos neste segundo semestre de 2008.

Está na manchete dos jornais (confira algumas delas abaixo). Seja pela internet, no jornal impresso, no rádio ou na TV. É difícil as editorias de jornalismo internacional não comentarem com freqüência sobre a bipolaridade entre o mundo capitalista e o sobrevivente bloco socialista/comunista.  A Guerra Fria, de certo modo, parece estar implícita nos parágrafos que constroem essas notícias.

O mundo parece “dividido”, como há tempos recentes. Enquanto os Estados Unidos vivem uma profunda crise financeira, a Rússia, a antiga rival, entrou em guerra contra a Geórgia, devido à crise na Ossétia do Sul, e ainda tem feito exibições de seu poder bélico no “quintal” norte-americano. 

Com o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chavéz, os russos trouxeram para a América do Sul, nas últimas semanas, alguns bombardeiros de alta tecnologia e agora trarão arrojados navios de guerra.

O Kremlin teve sinal verde do governo venezuelano para fazer operações conjuntas nos mares do caribe e nos céus sul-americanos. Supostamente, seria uma resposta às reprovações verbais dos EUA sobre a guerra contra a Geórgia e ao envio de navios norte-americanos aos mares do leste europeu em apoio aos georgianos.

“União anti-imperialista”

A “união anti-imperialista” tem seu líder: Hugo Chavéz. Ele provoca os “ianques” em todos os seus discursos, ou pelo menos na maioria deles. Parece ser o novo Fidel Castro. O venezuelano foi nesta semana à China para firmar acordos e comprar instrumentos de guerra. Também foi a sua mais nova aliada, a Rússia, com a mesma finalidade.

A justificativa para o armamento da Venezuela é o óbvio: “defender a autonomia do país”. Mas, na verdade, Chavéz já se prepara para uma iminente ofensiva estadunidense na porção sul do continente americano.  

Chavéz mostrou nas últimas semanas ter disposição para aliar russos, chineses, palestinos e os países sul-americanos para uma futura batalha contra o regime imperialista.

A China é uma das potências que mais crescem e preocupam os Estados Unidos. Os russos querem de todas as formas mostrar que têm capacidade militar respeitável.

 O poder bélico chinês seria um dos poucos no mundo capaz de travar uma dura batalha com os norte-americanos.

Crise da Bolívia

A segurança do discurso revolucionário de Chavéz é tanta, que ele se vê no direito de interver na crise interna da Bolívia. O país andino sofre com a ameaça de uma guerra civil, com caráter semelhante à bipolaridade da Guerra Fria. 

De um lado estão os partidários do presidente Evo Morales, apoiadores da constituição de caráter explicitamente socialista que será referendada em dezembro. E, assim como na Guerra Fria, do outro lado estão os neo-liberalistas, os conservadores, os capitalistas.

O presidente boliviano fez questão de definir, durante a última reunião da ONU, que “a rebelião na Bolívia é para combater um modelo econômico, o capitalismo”.

Chavez, nas últimas semanas, quis dar ordens ao exército boliviano. Foi recusado pelo Ministro da Guerra da Bolívia e ainda foi alvo de duras críticas de um importante jornal de Cochabamba. Mesmo assim, deixou claro que “não ficaria de braços cruzados, caso houvesse uma tentativa de golpe para depor Evo”.

A diferença da Guerra Fria para a rebelião na Bolívia é que a violência está presente na manifestações. As ameaças se tornam atitudes radicais e “repudiadas” pela Unasul (União dos países da América do Sul).

São fatos preocupantes

Para estourar uma guerra é preciso basicamente acontecer dois fatos: crise econômica e crise política. As bolsas de valores do mundo todo estão em constante colapso, por estarem ligadas à economia dos EUA, a maior do mundo. O Brasil, mais cedo ou mais tarde, sabe que não irá escapar desta crise, por mais que o presidente Lula esteja otimista.

Logo, o mundo assiste à quebra de bancos e fortes crises financeiras nos EUA (crise econômica) e uma união ideológica e armamentista organizada, principalmente, por Chavéz e seus aliados (crise política).

O cenário parece até mais temeroso do que o desenhando na “primeira Guerra Fria”.

Algumas manchetes:

América Latina precisa da Rússia para conter EUA, diz Chávez 

Na ONU, Evo diz que ocorre ‘rebelião’ contra o capitalismo

Frota russa parte para manobras com a Venezuela

Rússia emprestará US$ 1 bilhão para Venezuela comprar armas

Putin se diz pronto para cooperação nuclear com a Venezuela

Em Pequim, Chávez anuncia compra de aviões chineses

(Lielson Tiozzo)

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Preocupados com a crise interna da Bolívia, centenas de bolivianos deixaram nos últimos dias a cidade de Cobija com destino a Brasiléia (AC) e Epitaciolândia (AC) em busca de abrigo. O município boliviano é a capital do Departamento de Pando, que faz divisa com o Acre, onde ocorreram as mais violentas manifestações no país vizinho. 

Os refugiados temem por uma reação do exército local. Desde a semana passada, soldados cuidam das instalações públicas do Departamento de Pando, que está em estado de sítio, por conta do assassinato de 15 camponeses favoráveis ao presidente boliviano Evo Morales na região.

A presença dos estrangeiros, no entanto, ameaça sobrecarregar os serviços públicos de Brasiléia e de Epitacionlândia. Ambas cidades são as mais próximas de Cobija, pelo lado brasileiro da fronteira.

O  Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) teve reuniões com o Itamaraty e o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) na tarde de terça-feira ,16,  em Brasília (DF), para discutir sobre o êxodo emergencial dos bolivianos. 
“Se esse fluxo continuar, vai sobrecarregar a prefeitura”, disse o vice-prefeito de Brasiléia, Antônio Pacífico (PSB), ao jornal O Estado de S. Paulo. “Muitos se hospedam em casa de amigos, mas não sabemos onde isso vai parar.”

O defensor público boliviano, Waldo Albarracín, esteve no Brasil para averiguar a condição dos seus compatriotas. Ele já pediu às autoridades da Bolívia garantias para que os refugiados possam voltar para casa em segurança.

Um dos bolivianos que está no Brasil disse a um canal de TV da Bolívia que foi feita uma lista de todos que ganhariam abrigo em asilos e no Corpo de Bombeiros de Brasiléia e de Epitaciolândia.

Entre os refugiados estão dois representantes da oposição ao governo de Morales: a presidente do Comitê Cívico de Pando, Ana Melena, e o  senador do departamento autonomista de Pando pelo partido Podemos, Paulo Bravo.

Na terça-feira, o governador de Pando, Leopoldo Fernandez, foi preso por ordem do presidente Evo Morales. Fernandez é considerado culpado pelo assassinato dos camponeses que se manifestavam a favor de Morales.

Entenda a crise na Bolívia

Saiba mais:

Bolivianos cruzam a fronteira e se refugiam no Acre

(Lielson Tiozzo)

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