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Posts Tagged ‘Liberdade’

Domingo, 14 de setembro, aproximadamente 12h45. Dia de céu nublado em São Paulo. Saio do curso preparatório para mesários das eleições para prefeito e vereadores de 2008, na Avenida Liberdade. Antes de por os pés na via, uma rápida ligação para a minha querida Paola.

Resolvo ligar meu MP3 e coloco os fones no ouvido. Poucas passadas adiante, já na avenida pouco movimentada, um sujeito careca, branco, de mais ou menos 1,85 m, me aborda.

– “Você pode me informar onde é um endereço?”

– “Sim”. Respondo de maneira educada e atenciosa, já me aproximando.

Neste instante, ele enfia a mão dentro de uma mala com alças curtas e como se estivesse segurando uma arma, discursa: – “você tem que me dar seu dinheiro, eu preciso pegar um ônibus. E vamos andando, porque eu não tenho nada a perder. Se for preciso eu te mato”.

Começo a andar para o sentido da Praça da Sé. Um pouco trêmulo e muito assustado, coloco a mão no bolso direito da calça para pegar a carteira.  E o sujeito continua seu discurso ladino:

– “Acabo de sair da cadeia e não tenho nada a perder. Sou portador do vírus da Aids. Se você for fazer algo que vá me prejudicar, eu te mato. Assim pelo menos eu sairei no jornal”.

Entrego a ele algumas moedas. Não sei ao certo, mas acho que uns R$ 4 ou R$ 5. Pensei: “poxa, não sei se ele tem uma arma de verdade, mas não vou dar a minha carteira assim tão fácil”.

-“Vamos entrar naquela rua. É por ali que você vai embora. Ali não tem como você me ‘prejudicar’ “. Prossegue o sujeito, mostrando com os olhos a rua que eu devia entrar.    

Quando viro na rua escolhida por ele, acabo pisando fora da calçada. O sujeito se revolta e pede para eu andar bem próximo dele.

Reparo que é uma via bem tranqüila. Todos os pontos de comércio estavam fechados e não havia ninguém para me socorrer. Era um local perfeito para o assalto. Nisso, ele fala o real objetivo de sua abordagem:

– “Deixa eu ver seu celular! O que você está ouvindo aí?”

Quando mostro meu celular, um aparelho da Nokia, dos mais baratos e simples, vejo a cara de reprovação do sujeito.

-“É da TIM?”

-“Não. É da Vivo”. Respondo para a tristeza do sujeito.

 Ele quis ver meu “MP3”, mas quando viu que nem era um MP3 de verdade, mas sim gravador com aparência bizarra, desiste.

-Vai embora e nem olha para trás.

Final das contas: Isso é um assalto ou um meio-assalto? Afinal, o objetivo do sujeito era roubar meus aparelhos. Mas quando viu que eles eram de pouco valor, resolveu até me “esnobar”.

Também fica um alerta para todos os paulistanos. Não há hora, nem local para ser assaltado. Basta você, por algum motivo, chamar a atenção, que já correrá risco.

Nenhum prefeito que eu vou de duas formas ajudar a eleger, porque vou trabalhar na eleição e também vou votar, vai nos dar mais segurança. Tenho certeza disso!

Pena que poucos têm a sorte que eu tive…

(Lielson Tiozzo)

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